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Dinheiro

Exportações aos EUA sobem em valor, enquanto cota chinesa derruba carne bovina

Vendas brasileiras aos Estados Unidos cresceram 12,1% em agosto, mas embarques de carne bovina para a China caíram 27,1% em volume.

Ilustração editorial de porto com navio cargueiro e fluxo de comércio exterior
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial para o Horizonte Diário.

As exportações brasileiras apresentaram desempenhos diferentes nos Estados Unidos e na China em agosto. Dados divulgados pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) e detalhados pela Agência Brasil mostram alta de 12,1% no valor vendido aos norte-americanos, enquanto os embarques de carne bovina recuaram 27,1% em volume no mercado chinês.

As vendas brasileiras para os Estados Unidos somaram US$ 3,190 bilhões em agosto, acima dos US$ 2,845 bilhões registrados no mesmo mês de 2025. O aumento foi atribuído principalmente à alta de 8,6% nos preços médios dos produtos exportados. Em volume, porém, os embarques para o país caíram 3,1% no mês.

Entre os itens que ajudaram a elevar o valor exportado aos Estados Unidos estavam aeronaves e equipamentos, carne bovina, produtos de ferro e aço, cal, cimento, tubos de ferro ou aço, celulose e café. A carne bovina e as aeronaves ficaram entre os produtos excluídos das novas tarifas norte-americanas mencionadas na apuração.

No acumulado de janeiro a agosto, a relação comercial com os Estados Unidos continuou negativa para o Brasil. As exportações somaram US$ 24,105 bilhões, queda de 9,7% em valor e de 13,6% em volume na comparação anual. As importações brasileiras de produtos norte-americanos alcançaram US$ 27,316 bilhões, recuo de 8,6%, gerando déficit bilateral de US$ 3,211 bilhões.

A União Europeia teve outro comportamento no mesmo período. As exportações brasileiras para o bloco chegaram a US$ 5,82 bilhões em agosto, alta de 46,4% em valor e 30,3% em volume. Petróleo, cobre, soja, combustíveis, café e carne bovina estiveram entre os principais produtos vendidos, mas o MDIC ponderou que ainda é cedo para medir o efeito isolado do acordo Mercosul-União Europeia.

Na China, a queda se concentrou na carne bovina. O Brasil exportou US$ 1,2 bilhão do produto em agosto, 19,7% menos em valor que os US$ 1,5 bilhão do ano anterior, e o volume diminuiu 27,1%. A retração foi relacionada à proximidade da cota chinesa de 1,106 milhão de toneladas para entrada sem a tarifa adicional de 55%.

Segundo o diretor do Departamento de Estatísticas e Estudos de Comércio Exterior do MDIC, Herlon Brandão, exportadores tendem a reduzir os volumes quando aumenta o risco de ultrapassar a cota e sofrer a cobrança extra. Ainda assim, de janeiro a agosto, as exportações brasileiras totais de carne resfriada e congelada cresceram 4,7% em volume e 22,3% em valor.

A balança comercial brasileira fechou agosto com superávit de US$ 7,39 bilhões, alta de 23,8% ante agosto de 2025. As exportações totais chegaram a US$ 33,2 bilhões e as importações a US$ 25,8 bilhões, levando a uma corrente de comércio de US$ 58,9 bilhões. No acumulado do ano, o superávit foi de US$ 55,32 bilhões, 28,2% acima do registrado no mesmo período do ano anterior.

Os números mostram efeitos distintos de preço, volume, tarifas e cotas, mas não permitem concluir isoladamente como o comércio brasileiro se comportará nos meses seguintes. O próprio MDIC indicou que ainda será necessário acompanhar novos dados para avaliar redirecionamento de exportações e os efeitos das medidas comerciais.

Fontes consultadas